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Discurso do Presidente do PMN - PARTIDO DA MOBILIZAÇÃO NACIONAL, Oscar Noronha Filho
Na Plenária Nacional do Partido, em 12 de dezembro de 2.004, em São Paulo

SENHORES CONVENCIONAIS,

A Plenária Nacional do Partido da Mobilização Nacional - ano de 2.004 - deve ter início com uma inusitada indagação:

O que é o P.M.N?

A resposta mais óbvia não pode ser aceita, porque ela não retrata a realidade.

O Partido da Mobilização Nacional não é apenas um partido. Não é um partido como os partidos que aí estão, todos eles, sem exceção, jogando o mesmo jogo: a busca do poder polar. Para esse ponto se ajustam todas as suas bússolas. Menos a nossa.

Não que não busquemos o Poder, mas sim que o não buscamos a qualquer preço, que é o custo da indignidade.

Para eles, vale transitar qualquer atalho, abrir qualquer trilha, embarafustar por qualquer desvio. É do jogo.

Estamos assistindo, assustados e estupefatos, a uma estrepitosa convulsão de atitudes e de princípios, de arrojados arranjos e inconcebíveis combinações, em que as letras das legendas se aglutinam e se agitam, numa sarabanda sinistra, em que as siglas são cifras e as cifras são cifrões, numa grotesca dança das cadeiras, imitação anacrônica daquela brincadeira infantil da “gata parida”.

O P.M.N. está fora deste jogo.

Não estamos interessados nem na “caixa preta” das maracutaias marajoaras, nem no “caixa dois” dos escandalos escondidos.

Somos refratários a este tipo de refrega: nela não nos refocilamos...

Disto, sabemos nós, de nós mesmos.

Mas... e eles? Que sabem de nós?

Nada!

Nem podem saber, eis que somos invisíveis: os políticos não nos avistam, os jornais não nos enxergam, a TV não nos vê.

E, quando nos vislumbram, fazem vista-grossa, porque se assustam: como pode um partido político negar o “jogo-de-cintura”, renegar o “toma-lá-dá-cá”, tresnegar as maquinações maquiavélicas e querer misturar política com moral?

Não nos percebem porque estão cegos.

E se, acaso, defrontam a nossa sigla, se referem a nós como um “partido nanico”.

Isto, na hipótese melhor, porque outros, cujo uso do cachimbo já entortou a boca, tentam nos embrulhar no mesmo saco das “legendas de aluguel”, esquecidos de que são eles que estão nesse saco, não como gatos alugados, mas como lebres vendidas.

Em nome d’uma suposta e nunca encontrada “governabilidade”, esquecem-se todos os esquemas, antes agendados; queimam-se todos os quesitos, agora esquecidos; rompem-se todos os rótulos, em breve embaralhados.

E, numa rebobinação de palavras, agora o medo quer matar a esperança.

Aquele que pensa e faz, aquele que fala e pode, aquele que manda e comanda, já fez, já falou e já mandou: << Nada vai ser mudado. Não mexo na economia. é tudo como está. E ponto final!>>

Mas a razão reage, a lógica aperta e a esperança espera, não pode ser, pode não ser, nenhum “tudo”pode virar nenhum “nada”!.

E onde está o truque?

Simples: a afirmativa não é uma proclamação. É apenas uma nuvem de fumaça, para encobrir a esperteza de uma tática maliciosa, que ensina a “comer o mingau pelas beiradas”.

Estamos numa transição, no meio de uma travessia: tão logo a água der pé, quando tudo aparentar que o que está sendo feito, está dando certo, então...

Mas... será mesmo isto?

Nós, pessoalmente, estavamos acreditando, até que ... foi demitido o Prof. CARLOS LESSA!

Foi um marco de limite.

Este era o ponto nodal, o ponto morto, o centro da linha, onde - com um mínimo desgaste - o centro seria centro-esquerda ou centro-direita. Torcemos que fosse esquerda, mas foi direita. E agora, o ponto nodal é um ponto de não retorno. E todos os que escutavam o que fala, pensaram: mas não é justamente aqui que será feita a ruptura, no meio exato do mandato?

Estará morta a esperança ou somente esperdiçada a espera?

Nem uma coisa, nem outra: houve apenas um adiamento: o que faz e comanda acha que, feito o ajuste fiscal, controlada a inflação, reformando o imposto de renda, descolado o crescimento, a classe média fará dele o seu homem.

E, com os trabalhadores a seu lado e mais a classe média, sua candidatura é imbatível, para a reeleição. Assim, eleito sucessor de sí mesmo, poderá dar - sem traumas - a grande virada de rumo: da direita para a esquerda!

Nada haverá mudado em seu plano: o princípio do segundo mandato seria o ponto médio de seu governo, a metade da governança.

Tudo parece muito lógico.

Mas não para todos.

O economista PAULO NOGUEIRA BATISTA JÚNIOR esclarece: se ele fizer essa jogada, << perderá definitivamente a confiança dos brasileiros>>.

<< E nem por isso se tornará o candidato preferido das elites. Para que ficar com um tucano de imitação, se há tanto tucano autêntico dando sopa por aí ?>> (J.B. 26.11.04 pg 11)

A comentarista política TEREZA CRUVINEL acaba de me alertar dizendo que “mudar os costumes políticos não é um ato de vontade”. (O Globo 10.12.04)

Mas o P.M.N. quer apresentar-se, na arena política brasileira, um pouco mais do que um partido: queremos ser um organismo propedeutico, do qual há de brotar uma verdadeira escola de líderes, uma incubadora de autenticos políticos, vacinados contra o vício da tolerância moral e alérgicos à tecnologia da solércia.

Aqueles que pediram asilo em nosso acampamento e, com olhos curtos, pensaram medir a distância de nosso horizonte pelo ângulo estreito de sua visão viciada, que mudem de pouso.

Já haviamos avisado: “que passem ao largo todas as raposas, não somos o bosque de MAQUIAVEL”.

Utopia? Pode ser. Mas desde o início de nossa penosa caminhada, temos gritado que ä utopia é a nossa praia”, eis que só a utopia é uma realidade verdadeira, porque toda utopia nasceu para realizar-se e toda realidade é uma utopia que já está morrendo.

Esta é a grande lei da vida.

É de PIETRO UBALDI o aviso: “a semeadura é livre. mas a colheita é obrigatória”.

Nós estamos semeando sementes de jacarandá, porque não queremos fazer uma colheita de batatas.

Todos os que sabem ler o que está escrito nas estrelas, sejam os sábios da cabeça ou os profetas do espírito, já aclararam o mistério e declaram a sentença: “o Brasil será o berço da nova civilização do 3° milênio”.

E quem faz uma civilização é o homem.

E, muito especialmente, o homem político.

Eis porque nós queremos moldar e modelar um novo tipo de homem político no Brasil.

A legenda está nos parques, nas páginas e nos palanques: “o melhor do Brasil é o brasileiro”. Mas algum gaiato bem que poderia rabiscar embaixo: “e o pior dos brasileiros é o político”. Se o brasileiro é generoso e o político é individualista, se o brasileiro é franco e o político é dissimulado, se o brasileiro é honesto e o político é velhaco, se o brasileiro é probo e o político é ladrão, então, o político brasileiro, simplesmente, não pode ser brasileiro.

Se o Brasil está destinado a criar um novo tipo de civilização no mundo, temos o dever de criar um novo tipo de homem político no Brasil: o “homo civicus”.

Numa cronica, vibrante e candente, o cientista político SERGIO ABRANTES, analisando o momento crucial que vive o planeta, conclui: << Uma nova ordem já se infiltra nos escombros da velha, resta saber quanto som, fúria e barbárie ainda teremos de enfrentar até que se torne dominante e nos leve a um estágio novo de civilização>> ( Desalento e Esperança - Rev. Veja 02.06.04)

Dos profetas - sábios ou místicos - que proclamam o advento desta nova civilização para o novo milênio, o maior é PIETRO UBALDI.

E foi de suas mãos que recebemos, em Brasília, no dia 13 de março de 1966, os Estatutos desta nova ordem para o planeta.

É indisfarçável a inferência: não podemos falhar em nossa missão.

No Brasil, o PMN é o partido do futuro.

Eis porque vale a pena lutar a nossa luta.

Somos os patriotas sem fronteiras, os guerreiros sem armas, os cruzados sem cruz!

São Paulo, 12.12.04

OSCAR NORONHA FILHO

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