PMN - Topo
extra

New Page 1

Um sermão para Tigres

Oscar Noronha Filho


FRANCISCO DE ASSIS falava aos pássaros e pregava aos lobos; ele foi, depois de CRISTO, o mais alto espírito que jornadeou este planeta

Quem sou eu, então para me ombrear com ele?

Não; sou apenas o lobo, que ouviu a mensagem do santo e quer transmití-la aos tigres.

Então, eu digo: "Atenção, tigres; vossa vida corre perigo: a sanha com que devorais os cordeiros está dizimando o rebanho. E se devorardes até o último deles, o que ireis comer amanhã?"

Os mais abalizados estudos comprovam que o futuro da vida na Terra está em risco. Quem o diz são os cientistas, os biólogos, os físicos, os antrópologos, os economistas, os sociólogos, os ambientalistas, os filósofos, os químicos, os meteorologistas, os políticos e os profetas (tantos os místicos como os estatísticos).

Ou mudaremos de caminho ou sumiremos.

A marcha civilizatória do mundo sofre um desvio de rumo, quando a economia "tomou o freio nos dentes" e trocou o humanismo pela globalização; em vez de alçar-se a um distributismo solidarista, descambou para a especulação capitalista, colocando o liberalismo mercantil no lugar da liberdade democrática.

Em vez do "remar todos juntos", do socialismo, o "salve-se quem puder", do capitalismo.

A Administração Pública foi trocada pela Bolsa de Valores; na cadeira do Estadista senta-se o apontador das apostas.

Mas a alma popular pulsa ainda e, assim como dezenas de ONGs impediram a realização da conferência da Organização "Fereng" de Comércio em Seatle (USA), para a partilha comercial do mundo, agora, em Los Angeles, milhares de manifestantes se levantam, na Convenção do Partido Democrata americanos para "celebrar e renovar a resistência ao militarismo, à globalização empresarial, à pobreza, à fome, à corrupção, à discriminação sexual, ao racismo, à homofobia, à criminalização dos jovens, à destruição ambiental e ao genocídio". (O Globo, 14.08.00).

E, em Melbourne, de novo, os bufarinheiros internacionais foram impedidos de agir. Como aconteceu, antes, em Davos, na Suiça. E acontece, novamente, em Praga, na República Tcheca.

A divisão do mundo, pela guerra fria, separou a Terra em Leste e Oeste a divisão, a gora, é entre o Norte globalizar e o Sul globalizado.

Este desequilíbrio pode promover o genocídio de bilhões de terráqueos.

Dois espectros continuam assombrando o mundo: a fome e a guerra.

Há séculos, as melhores cabeças e os maiores corações tentam espancar estes fantasmas.

Eis que, agora, a evolução efetuou seu giro inexorável nos horizontes da Terra e a utopia pode virar realidade.

De repente, um humilde peregrino, arrastando seus velhos e cansados pés pelos pedregulhos do mundo, caiu em si e pensou: É fácil matar este monstro de duas cabeças, com uma cajadada só!"

E começou a desenrolar o novelo: se o Brasil assinou a Carta das Nações Unidas; se o art. 1° estabelece que é propósito da ONU "conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas de caráter econômico, social, cultural ou humanitário" e que "a maneira de fortalecer a paz universal é promover o desarmamento das nações" e que "a Assembléia Geral poderá discutir quaisquer questões relativas à manutenção da paz e da segurança internacionais, que a ela forem submetidas por qualquer membro..."(art.11), então o Governo do Brasil, como membro que é poderá apresentar à ONU, um projeto de paz universal.

PROJETO SALVATERRA
De acordo com os ítens 1, 2 e 3, do art. 1° e os ítens 1, 2 e 3 do Art.11, da Carta das Nações Unidas, o Governo da República Federativa do Brasil submete à apreciação da Assembléia Geral da ONU as seguintes medidas:
a) que seja efetuado um levantamento geral dos orçamentos militares das 197 nações participantes da ONU, referentes ao ano 2.000 (cerca de 750 bilhões de dólares);
b) que, desses orçamentos, seja retirada, a partir do ano 2001, uma parcela de 10% (dez por cento), que será contabilizada a favor de um Fundo de Ajuda às Nações Subdesenvolvidas;
c) que esta parcela inicial de 10% seja acrescida, anualmente de mais 10%, progressivamente, até que ela atinja o total de 100%, no décimo ano, (2010).

JUSTIFICATIVA
A redução gradativa dos orçamentos militares, orçamentos que são um tremendo peso morto nas economias nacionais, facultará a passagem - sem traumas - de um estado de guerra para um estado de paz entre as nações, alcançando a desejada (e até hoje utópica) erradicação dos conflitos bélicos, que tantos males já acarretaram ao processo civilizatório (cinqüenta milhões na última guerra).

Assim ficaria espancado o fantasma da guerra.

Mas o espectro da fome também vai ser afugentado, de vez que os bilhões de dólares, que são atualmente atirados na cloaca sem fundo do armamentismo assassino, serão postos na mesa vazia de bilhões de famintos, em todo o mundo.

Este projeto, aparentemente de índole esquerdista, socialista ou anticapitalista, pode ser, no fundo, a tábua de salvação para a crise capitalista em que está mergulhado o planeta, quando uma globalização excludente gerou um gigantesco "apartheid" financeiro, que não tem condições de absorver o mercador produtor.

O projeto faculta o estabelecimento de uma globalização positiva e includente (portanto, "global"), pois transforma o atual rebutalho humano, desprovido de recursos, em clientes e "fregueses" da produção capitalista mundial.

No lugar da atual globalização, que é uma globalização "burra", implanta-se uma globalização inteligente, que beneficia a produção mundial, arranca da miséria o terceiro mundo, transforma bilhões de párias em consumidores e, ainda, acaba com a guerra, "essa obra prima da estupidez humana".

Na verdade, este projeto constitui um sistema de dízimos progressivos, que o Diabo deve pagar a Deus...

Não é tarefa pequena resolver, de uma só vez, os problemas da fome e da guerra. Entretanto, um outro problema mundial, até hoje insolúvel, pode encontrar solução: o problema da dívida externa.

Não temos especialização no assunto, mas acreditamos que os "delfins" e os "mercadantes" de nossa economia poderão encontrar a fórmula para dividir, eqüitativa e racionalmente, estes orçamentos de guerra, entre as nações pobres, levando em conta, simultaneamente, o grau de empobrecimento de cada país, seu grau de endividamento externo e o grau de qualidade de vida ou o índice de desenvolvimento humano (IDH) de seu povo.

E os nossos "ricúperos" e "lampreias", (gente de primeira água), poderão contribuir na recuperação de nosso "status" internacional, facilitando, no âmbito diplomático, a tarefa realizada no domínio político-econômico.

O projeto apresenta, ainda, um aspecto moral importante: todos os seus ângulos estão de acordo com a geometria escritural sagrada. Para o desarmamento, tem a aprovação de ISAIAS (2:4); para a pobreza, a opinião de PAULO, II COR. (8:12 a 15) e, para a dívida, a lição de MATEUS (18:23 a 25).

O PROJETO SALVATERRA é um remédio genérico, que - além de barato - não tem contra-indicação.

E nem reação adversa, a não ser a dos tigres.

Mas estes já perderam, de há muito, os seus "dentes de sabre" e estão em processo de extinção. Eles são, na verdade, "tigres de papel".

<voltar

 

Base - PMN