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Quando o diabo arromba a porta
Oscar Noronha Filho Presidente Nacional do PMN 27/04/2003
Deus às vezes, entra pela janela, quando o Diabo tenta arrombar a porta.
Nenhum fato mudou tanto o destino do mundo como o desmonte das torres gêmeas de Nova York; coisa inimaginável, fruto da mais perfeita cirurgia terrorista. Foi um debulhar de lágrimas e de medos, para milhões de corações compassivos, mas brilhou também como um cintilar de apelo, nos corações malformados daqueles que só funcionam ao ritmo monocórdio das sístoles do Poder e das diástoles da Conquista.
Assim, um presuntivo herdeiro anacrônico de Hitler, supondo enxergar, nas ruínas fumegantes do "World Trade Center", as cinzas redivivas de "Reichstag" alemão, iniciou uma jornada inconcebível no início do terceiro milênio, fazendo do Iraque o bode expiatório de uma demência fora de tempo e de lugar, como o seu antecessor fizera antes, na Tchecoslovaquia, rumo à dominação do mundo.
E, como a História só se repete como farsa - no dizer de Marx, agora outro inglês, Tony Blair, herdou o guarda chuva de Chamberlain (só que as chuvas de agora, são de bombas inteligentes...).
Direis que exagero.
Então, ouçamos as vozes mais antigas e mais audíveis.
Transcrevo:
Em um tratado de geografia, ultimamente publicado nos Estados Unidos, veem assim definidos o limite daquele país, pelos quatro ventos cardiais: "os Estados Unidos são limitados a leste pelo sol no oriente, a oeste pelo sol no ocaso, ao norte pelas expedições árticas, ao sul pelo que nos convier".
E o Senador Preston, numa sessão do Congresso dos Estados Unidos, em 1836, proferiu as seguintes palavras: "A bandeira estrelada brevemente flutuará sôbre as torres do México e, dalí seguirá sua marcha até o Cabo de Hornos, cujas ondas agitadas são o único limite, que o ianque reconhece à sua ambição".
Estas duas frases estão publicadas às páginas 251/252, do livro "SOCIALISMO", editado em 1855, de autoria do famoso militar brasileiro JOSÉ INÁCIO DE ABREU E LIMA, conhecido como "o General de BOLÍVAR".
Em nota, ao pé de página, aquele grande patrício nosso - patrício e patriota, aduziu este comentário:
O seu egoísmo e a sua ambição acabarão, por fim, de revoltar contra si a todo o mundo.
E prossegue:
Que chegará ao México, é de evidência manifesta, porque já lá foram, e até o Panamá, onde já se acham colocados, talvez mesmo ao Orenoco, mas para chegar ao Cabo de Hornos, terem os ianques de atravessar o Amazonas, onde se afogarão como o exercito de Faraó, no Mar Vermelho.
E acrescenta:
É que os ianques desconhecem que o Brasil está chamado a desempenhar, no hemisfério Sul, a missão providencial para que eles foram escolhidos, no hemisfério Norte, o tempo o mostrará.
Guardemos, no coração, estas palavras.
Direis que aqueles arroubos são sonhos passados, hoje esquecidos.
Longe disto: a revista Época, da Editora Globo em sua edição nº. 256, de 14 de abril corrente, estampa em página dupla e a cores - (fls. 56/57), sob o título "O MUNDO DOS FALCÕES", um minucioso "mapa mundi" encomendado pelo Pentágono, com a epígrafe: "Os Riscos do Planeta", onde são apontados os lugares de possíveis ações militares americanas, dentro da atual política externa daquele país. Para nós, ainda não esta acesa a luz vermelha, alí, só a amarela, mas está escrito que já corremos o risco de "cair do trem", entrando na margem esquerda da estrada, e que "a Amazônia continua sendo devastada".
Sinal de Alerta!
Mas ABREU E LIMA pontua à pagina 253:
O Brasil, dentro de 25 anos, será o único rival dos Estado Unidos; ambos se espreitarão em atitude ameaçadora, porque ambos têm o mesmo desígnio. Não é a Europa que há de servir de obstáculo à ambição ianque no continente americano, mas tão somente o Brasil! Quando a corrente de imigração que hoje percorre, em todos os sentidos, a União norte americana, se desviar para o Brasil (fenômeno que não está muito distante de acontecer), o que serão destas vastas regiões, ricas e ferazes, como não há outras no mundo?
A louca ambição ianque pode incomodar-nos, por momentos, mas nunca desviar-nos dos nossos futuros destinos
Quem isto escreve é um General Brasileiro, que lutou, ombro a ombro, com SIMON BOLÍVAR, na libertação do continente sul americano, contra o domínio colonial europeu.
Já tivemos ocasião de dizer, aqui, que acreditamos na missão civilizadora do Brasil, nos umbrais do terceiro milênio.
E o dissemos porque estribados estamos em depoimentos abalizados.
Muitos homens de pensamento, nossos e de outras plagas, afirmam que existe um destino solar para a nossa terra, em razão de nossas dimensões telúricas, de nosso potencial incalculável, da qualidade de nossa gente, da riqueza de nosso solo e da configuração de nossa história.
Nós mesmos - pessoalmente, tivemos oportunidade, em 13 de março de 1966, em Brasília, no auditório da Escola - Parque, perante 1200 pessoas, de receber das mãos do grande filósofo italiano PIETRO UBALDI, a entrega simbólica de todo o conjunto de sua obra, em 24 volumes, por acreditar ele que, ao Brasil está destinada a missão de lançar as bases da "nova civilização do terceiro milênio".
E, já a esta altura, até as vozes daqueles que já partiram para os países altos - o vulgarmente chamado "andar de cima", estão a martelar a autenticidade desta missão, quando a pena evanescente de HUMBERTO DE CAMPOS escreveu, pela mão imaculada de CHICO XAVIER, o livro "BRASIL - PÁTRIA DO EVANGELHO E CORAÇÃO DO MUNDO".
E mesmo que esqueçamos todos estes antecedentes, impossível nos é o não perceber que o Brasil, nos dias de agora, está abrindo as portas do mundo, inaugurando, pela postura altiva, marcante e máscula de nosso Presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, um capítulo novo na história universal, quando o destino das coisas e das gentes será dirigido pela vontade do povo e não pela força do Poder.
E, se no outro lado da Terra, o poder da força, arrebenta e arromba o portal sagrado da Babilônia, a tiros de canhão, fazendo retroceder, na violência, o caminho civilizatório da humanidade, ao mesmo tempo, a consciência cívica do século inunda todas as ruas do planeta, com multidões correndo, como rios caudalosos, em gritos de Paz, contra a insânia da Guerra.
Com o fim da 2ª Guerra Mundial e o advento das Nações Unidas, o mundo respirou aliviado, eis que - desde o final da 1ª , a humanidade aspirava a um mundo finalmente livre do flagelo da guerra.
Com o surgimento, agora, da esdrúxula e anacrônica "doutrina da guerra preventiva", o mundo volta a sofrer o impacto do "choque e do pavor".
Mas, mesmo assim, a nossa geração pode fazer com que a esperança possa vencer o medo.
E quem no-lo diz, de forma lapidar, é o teólogo LEONARDO BOFF:
"O efeito dialético da guerra da vergonha, movida por Bush, contra o Iraque, é o triunfo do movimento pela Paz, através do mundo inteiro. Os operadores da Paz não são agora apenas os grupos pacifistas, mas a própria sociedade civil, que se convenceu (enfim) de que a guerra não é solução para nenhum problema. Ela mesma é um problema para a humanidade, pois se não for controlada, vai acabar com a humanidade. (JB - 25/04/03, pg. A17).
O "Grande Satã", já arrombou a porta da vida, na própria nascente da civilização, mas Deus está entrando por todas as janelas do mundo...
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